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| INFRAERO:
Exclusividade custa muito caro ao usuário
e ao lojista
Jornal
GAZETA DO POVO - 01-08-2007 (Transcrição)
"Estacionamento
causa polêmica
(por CECILIA VALENZA) |
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A
inexistência de estacionamento gratuito alternativo
e os altos preços cobrados para deixar um veículo
no Aeroporto Internacional Afonso Pena fizeram com que
um grupo de dez pessoas entrasse com uma ação
popular contra a União, a Empresa Brasileira de
Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e o município
de São José dos Pinhais, onde fica localizado
o aeroporto, na região metropolitana de Curitiba.
A ação pretende garantir aos usuários
a isenção do pagamento de estacionamento,
por meio da construção de uma área
não paga, ou ainda a permissão para estacionar
nas ruas que levam ao aeroporto.
De acordo com o advogado que representa o grupo, Nivaldo
Migliozzi, o estacionamento não oferece estrutura
e segurança adequadas em relação
ao preço cobrado. Em janeiro deste ano, um casal
de médicos teve uma mala, cartões de crédito,
talão de cheques, telefone celular e jóias
levados por dois assaltantes dentro do estacionamento.
"Quem precisa ir ao aeroporto é obrigado a
deixar o carro lá, não tem opção",
comenta.
Além disso, segundo o advogado, o estacionamento
não oferece cobertura para proteger os veículos
ou serviço de manobrista. O preço cobrado
pela primeira hora é de R$ 3, sendo acrescidos
R$ 2 para cada hora adicional. O preço da diária
é de R$ 15. Com uma área de 8.280 metros
quadrados, o espaço tem capacidade para 800 veículos.
Em média, cerca de mil veículos passam pelo
local diariamente.
Procurada pela reportagem, a empresa que administra o
estacionamento, a AIN, alegou que é responsável
apenas pelos serviços de vistoria e controle dos
carros, sendo a estrutura, os valores cobrados, a segurança
e os equipamentos de competência da Infraero. Por
meio da assessoria de imprensa, a Infraero informou que
não se pronuncia sobre o assunto.
Em uma primeira decisão, em dezembro de 2006, a
Justiça não aceitou o pedido de liminar
que pretendia suspender imediatamente a cobrança.
A União foi excluída do processo e as partes
restantes foram intimadas a apresentar provas. Uma nova
audiência está marcada para o próximo
dia 14." |
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| À
propósito da reportagem acima, feita por Cecília
Valenza, do jornal Gazeta do Povo, cabe acrescentar ainda
que, ao lado desse absurdo que é a "armadilha"
do único estacionamento disponível no Aeroporto
Internacional Afonso Pena, a Infraero oferece a concessão
de lojas com exclusividade, mas cobrando um aluguel astronômico
pelo espaço. Uma porta de loja no Afonso Pena (localizado
no município de São José dos Pinhais,
Região Metropolitana de Curitiba), não sai
por menos de 4 mil reais por mês, segundo revelou
um arrendatário. O processo de transferência
de custos é simples: se o lojista tem a exclusividade
de explorar uma lanchonete, por exemplo, ele vai ter que
pagar muito caro por essa primazia, pois não terá
concorrência. Aí ele acaba transferindo o
custo desse aluguel caríssimo para os produtos
que revende aos usuários do aeroporto. Um cafezinho,
que no centro de Curitiba custa 2 reais, lá na
lanchonete "exclusiva" do Afonso Pena passa
dos 4 reais. Dias atrás, o Jornal Nacional, da
Rede Globo, fez uma reportagem sobre o preço do
cafezinho nos aeroportos de Guarulhos, Rio de Janeiro,
Vitória e Belo Horizonte. O mais caro foi o de
Guarulhos: R$5,00. E o mais barato, de Vitória
(ES): R$ 2,00. Só que o JN não entrou no
mérito da questão. Como sempre, só
faz a divulgação sem questionar a origem
do problema. O editor-chefe do JN teria que instruir o
repórter a entrevistar alguém da Infraero
para saber porque tamanha diferença de preços
entre esses aeroportos e também em relação
aos preços cobrados nos centros urbanos. Todos
os artigos adquiridos em lojas dos aeroportos brasileiros
são mais caros do que produtos semelhantes comprados
em lojas dos centros das cidades onde ficam tais aeroportos.
A causa dessa diferença de preços está
no alto custo do aluguel cobrado pela cessão das
lojas em terminais de passageiros dos aeroportos administrados
pela Infraero. Se o cessionário da loja paga um
aluguel altíssimo, terá, então, que
transferir esse custo para o produto que vende. A conclusão
é óbvia. E por que a Infraero cobra aluguel
tão elevado? É um sistema de administração
que domina o órgão há muitos anos.
Existe uma concorrência extremamente acirrada entre
duas superintendências dentro da Infraero: aquela
que administra os terminais de passageiros e a que administra
os terminais de carga. Cada uma quer faturar mais que
a outra para aparecer bem na foto, diante do presidente
da estatal. E nessa briga quem sai perdendo, como sempre,
é o usuário, tanto o passageiro, que usa
o terminal para uma viagem de negócios ou de lazer,
quanto o empresário que se socorre dos terminais
de cargas para tocar seu empreendimento. A solução
para esses desmandos e abusos de preços astronômicos
seria uma mudança radical na forma de administrar
a empresa estatal, fazendo com que ela prestasse seus
serviços, cobrando preços de mercado. As
taxas de embarques cobradas de cada passageiro que voa
pelo Brasil são as mais caras do mundo. Com a taxa
de embarque, aluguel das lojas nos terminais de passageiros,
utilização dos armazéns em terminais
de cargas, taxas de pousos e decolagens, além de
outros serviços, a Infraero dispõe anualmente
de um orçamento de vários bilhões
de reais. Não precisaria cobrar tão caro
por seus serviços e espaços. No caso do
estacionamento, poderia até cobrar, mas, como disse
o advogado Nivaldo Migliozzi, a Infraero teria que oferecer,
em contrapartida, alguns serviços básicos
encontrados nesse tipo de empreendimento, tais como uma
cobertura contra chuva e sol, seguro contra furtos, etc.
Assim mesmo teria que oferecer uma área, sem essas
garantias, ali perto do aeroporto, para estacionamento
gratuito. |
Senival
Silva é jornalista e Diretor do INFORMATUR -
TURISMO & NEGÓCIOS |
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